quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Coisa Cristalina

"Lá vou eu de novo,
coração nos olhos
num final de tarde,
me sentindo assim
Cheio de vontade,
de te ver de novo..." (Wando - Coisa Cristalina)

Hoje resolvi ler tudo que escrevi no blog e bateu saudade. Em função desta saudade,busquei rever as fotos dos Caminhos de 2009 e de 2010 e decidi postar algumas para quem nunca fez o Caminho ter uma ideia de como é e para quem já fez, matar um pouco o desejo de vê-lo de novo.


















domingo, 6 de novembro de 2011

Já se passou 1 ano

É, já se passou 1 ano que completei o Caminho Português. Parece que foi ontem... Vejo as fotos, lembro de tudo e dá uma vontade de seguir novamente. Qual seria este Primeiro Caminho? Ou seria um segundo primeiro caminho? Não sei... Só sei que preciso caminhar de novo...

sábado, 2 de outubro de 2010

Valeu a pena?

Após alguns dias da chegada em Santiago, agora é o momento de pensar sobre o que representou este Caminho. Comparando com o Francês, achei muito mais difícil. Dificuldade física, pois as subidas são complicadas e as distâncias entre as cidades são longas. No Francês, você tem a opção de parar em várias cidades, se achar que não tem condições de chegar ao lugar proposto. No Português, é chegar ou chegar. Outra dificuldade encontrada foi emocional. No ano passado, as pessoas participavam ativamente enviando mensagens de apoio pelo blog ou por e-mail. Era como se todo mundo estivesse ao meu lado e eu não me sentia tão sozinha. Esse ano, o povo sumiu. Família e amigos que antes participavam, desapareceram. Apenas alguns poucos escreveram alguma coisa. Mas se por um lado a raridade de mensagens nos deixava um pouco tristes, por outro, foi emocionante para nós quando alguém escrevia. Nos dava muita alegria compartilhar o que estávamos sentindo e saber que as pessoas curtiam muito. Ao mesmo tempo, se faltou interação virtual, sobrou interação com os locais e com os demais peregrinos. Conversar com os moradores, rindo com os causos, conhecer gente nova, realmente não tem preço e isso foi muito rico. Dificuldade de logística em ano Jacobeu, já que foi complicado achar lugar para ficar, esperar 3 horas na fila para pegar a Compostela, esperar mais de 30 min para abraçar Santiago e não entrar no restante da Catedral porque as filas estavam absurdas. Em função de todo o exposto, vem então a pergunta se terá valido a pena. Usando as palavras do grande Fernando Pessoa, "Tudo vale a pena se a alma não é pequena." Entonces, só posso dizer que valeu muito a pena!!!!!

sábado, 25 de setembro de 2010

Enfim Santiago!!!

Dia 13 - 23/09 - Padrón-Santiago. Nossa, esta etapa foi pedrada. Dizem que são 25-26 km, mas acho que fizemos bem mais. Na última etapa, quando avistávamos Santiago lá no alto de uma ponte, os marcos mostravam em torno de 4 km. Quando chegou em uma determinado lugar haviam 2 marcações e escolhemos a da direita e com isso, pelos nossos cálculos, os 4 km se transformaram em 10!!!! Não chegava nunca e quando finalmente entramos em Santiago, as setas sumiram... Tive que perguntar como se chegava até a Catedral. O legal é que muitas senhoras nos paravam dizendo que faltava pouco e logo estaríamos lá. Quando eu vi a praça Alameda, me lembrei de onde estava e toca a quase correr para chegar. Não preciso dizer que chorei muito. Abracei o Antonio e disse: CONSEGUIMOS!!!! Depois enquanto nos recuperávamos sentados em plena Praça do Obradoiro, encontramos o casal de franceses que nos acompanhou o tempo todo. Foi muito abraço, choro, fotos, energias boas. Depois chegaram as 4 alemães e mais abraços e fotos. Passamos um bom tempo até levantarmos para procurar o hostal, que depois descobrimos estar fechado e na chuva tivemos que sair para achar outro. Mas Santiago ajuda e no final tudo deu certo. Agora é aproveitar a cidade, descansar e meditar sobre tudo por que passamos. Ah, não posso deixar de mencionar que durante o trecho, na cidadezinha de Farmellos comi os figos mais doces da minha vida, tirados do pé e com direito até o Antonio pisar em urtigas e nem se importar. Coisas do Caminho...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Cada vez mais perto

Dia 12 - 22/09 - Caldas de Reis - Padrón. Caminho por meio de plantações ou no meio de pequenas vilas. Em uma dessas vimos 2 senhoras carregando uma vaca muito linda. O bicho era enorme e bem manso. Uma das senhoras disse que poderiamos tocá-la. Nossa, que coisa boa tocar um animal tão belo e tão sereno. Fez um bem!!!! Após mais alguns kms, pensamos em passar de Padrón e ficarmos em Areal, mas os pés não deixaram. Como todos dizem: o peregrino anda o que pode e não o que quer. Desse jeito ficamos em Padrón mesmo, mas de novo em um hotel, já que o albergue estava completo (informação fornecida pelo bando de espanhois com carro de apoio, pivôs da confusão lá em Valença). Nós e muitos outros peregrinos exaustos, porque não têm carro de apoio, ficamos no Hotel Cuco (33 Euros para o casal). Amanhã, rumo a Santiago.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Para combater Peregrinos

Dia 11 - 21/09 - Barros-Caldas de Reis. Depois do sofrimento da véspera, melhor uma folga, andando-se menos e ficando em uma cidadezinha muito fofa. Durante o caminho, passamos por várias plantações de uva. A maioria estava com um pó verde ou azul, que parecia algum tipo de agrotóxico. Deve ser para acabar com as pragas, incluindo os peregrinos. Já que não se podia comer, a solução foi passar batido. Em Caldas de Reis outro presente. Após penarmos para arrumar um lugar para comer (era hora da siesta e casi nada funciona, principalmente restaurantes), o jeito foi entrar em uma pastelaria e comer uma empanada com coca cola. A atendente deve ter ficado com pena dos peregrinos e nos presenteou com 2 doces, que por sinal estavam muuuuuuuuuuuito bons. Se por um lado alguns querem combater os peregrinos, por outro, existem os que nos ajudam. Na cidade fcamos no Hotel Lotus, simples, mas aconchegante, por 35 Euros. Depois passeamos pela cidade e encontramos os amigos que fizemos no Caminho: Marie-Reine e Daniel (casal de franceses), Glaucia (gaucha)e mais 2 casais de gauchos.

Surpresas do Caminho

Dia 10 - 20/09 - Arcade-Barros. Após as maravilhosas tarde e noite em Arcade, com direito a passeio na praia vendo as famílias se divertirem em um bom Domingão, o dia seguinte foi de dureza. Sol muito forte, muito trecho no asfalto e as malditas subidas. Nossa, como eu sofro ao ter de subir alguma coisa, ainda mais com mochila. O bom é que após um desses trechos de sofrimento, ganhei de presente um cacho de uvas deliciosas de 3 idosos que faziam a colheita. Ao ver o Antonio lá na frente e eu esbaforida lá atrás, eles deram uma bronca nele por me deixar sozinha e perguntaram se eu queria uvas. Macaco quer banana? Bom, o macaco eu não sei, mas a Ilma aqui topou um cacho de uvas rapidinho. Era tudo de bom!!!Mas a melhor parte foi quando finalmente chegamos no albergue (!) de Barros. Bom, era uma casa com 2 quartos enormes, separados por banheiros. Entramos em um dos quartos e vimos que já haviam 3 pessoas com os sacos de dormir colocados nos colchonetes. Restou então o outro quarto onde então nos arrumamos. Após um banho quente com muuuuuuuuuuuita água (e não aqueles malditos chuveiros com timer), deitei um pouco para me recuperar enquanto o Antonio lavava a roupa dele. Nesse momento chegaram 2 rapazes que ao me verem devem ter ficado sem graça de ficarem no quarto e acabaram se juntando aos outros 3 (depois o Antonio soube que eram 2 italianos e 1 francês). Assim, eu e Antonio ficamos soznhos naquele quarto imenso, podendo dormir tranquilos sem ouvir roncos e sem cheiros e sons estranhos. Foi uma das noites em que dormi melhor!!! Sem contar que o jantar foi totalmente improvisado, com algumas sardinhas em lata, azeitonas e uma salada de atum que havíamos comprado em Pontevedra para fazermos com arroz e feijão. Como não havia a cozinha descrita no guia, a solução foi comer o que não precisva cozinhar. Nem na época de faculdade eu passei por uma dessa. Detalhe interessante: o tal do albergue era vizinho do cemitério e da igreja... Posso dizer que esta foi mais uma das inúmeras surpresas do Caminho.